É todo dia o dia do primeiro dia
dia de entrar e olhar, procurar e sentar
pensar, falar.
É dia de entrar na sala da aula da vida,
dessa coisa que é viver.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
sábado, 18 de setembro de 2010
Todos os homens
Mil e um homens marcham armados de punhos e consciência.
Um pára.
Pensa.
Por quê?
Se vira e vai para longe.
Outros o seguem por qualquer motivo aparente ou por falta de um.Dali a pouco, mil e um homens marcham em sentido contrário, sem rumo.
Desordenados, distraídos. Longe de qualquer razão, seguem.
Um homem pára.
Pensa.
Por quê?
Se vira e vai sem rumo, mas vai.O seguem.Logo mil e um homens marcham.
Um pára.
Pensa.
Por quê?
Um pára.
Pensa.
Por quê?
Se vira e vai para longe.
Outros o seguem por qualquer motivo aparente ou por falta de um.Dali a pouco, mil e um homens marcham em sentido contrário, sem rumo.
Desordenados, distraídos. Longe de qualquer razão, seguem.
Um homem pára.
Pensa.
Por quê?
Se vira e vai sem rumo, mas vai.O seguem.Logo mil e um homens marcham.
Um pára.
Pensa.
Por quê?
Sacicapaguá
Seria eu, você em outro lugar?
Que não eu, mas você a pensar
Tão iguais que inevitável seria a confusão:
Quem é quem neste lugar?
Nem eu saberia perceber
as diferenças do pisar
Quem você para denunciar
nosso eterno brincar?
E de pronto sei bem quem esta em cada lugar
Que não eu, mas você a pensar
Tão iguais que inevitável seria a confusão:
Quem é quem neste lugar?
Nem eu saberia perceber
as diferenças do pisar
Quem você para denunciar
nosso eterno brincar?
E de pronto sei bem quem esta em cada lugar
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Verdura
De repente
me lembro do verde
da cor verde
a mais verde que existe
a cor mais alegre
a cor mais triste
o verde que vestes
o verde que vestiste
o dia em que te vi
o dia em que me viste
De repente
vendi meus filhos
a uma família americana
eles têm carro
eles têm grana
eles têm casa
a grama é bacana
só assim eles podem voltar
e pegar um sol em Copacabana.
(Poesia de Paulo Leminsk, musicada por Caetano Veloso)
domingo, 25 de outubro de 2009
Maré
Tem dias que tudo parece como o sopro do ar
Tem dias que a sorte se lança como um dardo a jogar
A gente tem que aguentar co'a voz firme que tem
que seja por mais um instante, depois deixa tudo no além
assim leva a vida cantando, nadando junto do mar
é só a correnteza passar, você vai ver que vai melhorar
domingo, 18 de outubro de 2009
Dos Bons.
Aqui vai um texto que gosto muito de Paulo Leminski.
O Assassino era o Escriba
Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito inexistente.
Um pleonasmo, o principal predicado de sua vida,
regular como um paradigma da 1° conjunção.
Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial,
ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito
assindético de nos torturar com um aposto.
Casou com uma regência.
Foi infeliz.
Era possessivo com um pronome.
E ela era bitransitiva.
Tentou ir para os EUA.
Não deu.
Acharam um artigo indefinido em sua bagagem.
A interjeição do bigode declinava partículas expletivas,
conectivos e agentes da passiva, o tempo todo.
Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.
A pausa e o recomeço
Ontem me deu uma vontade tremenda de ler Decartes "O Discurso do Método" e mesmo o achando um tanto tolo vi ali uma vontade infantil de querer escrever para si e ser julgado por outros. Gostei , afinal até Decartes teve este tipo pensamento. E me reanimou. Por isso, chega de dar um tempo. Chega dessa falta de imaginação, estou de volta ! :D
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