domingo, 25 de outubro de 2009

Maré

Tem dias que tudo parece como o sopro do ar
Tem dias que a sorte se lança como um dardo a jogar
A gente tem que aguentar co'a voz firme que tem
que seja por mais um instante, depois deixa tudo no além
assim leva a vida cantando, nadando junto do mar
é só a correnteza passar, você vai ver que vai melhorar

domingo, 18 de outubro de 2009

Dos Bons.

Aqui vai um texto que gosto muito de Paulo Leminski.


O Assassino era o Escriba

Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito inexistente.
Um pleonasmo, o principal predicado de sua vida,
regular como um paradigma da 1° conjunção.
Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial,
ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito
assindético de nos torturar com um aposto.
Casou com uma regência.
Foi infeliz.
Era possessivo com um pronome.
E ela era bitransitiva.
Tentou ir para os EUA.
Não deu.
Acharam um artigo indefinido em sua bagagem.
A interjeição do bigode declinava partículas expletivas,
conectivos e agentes da passiva, o tempo todo.
Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.

A pausa e o recomeço

Ontem me deu uma vontade tremenda de ler Decartes "O Discurso do Método" e mesmo o achando um tanto tolo vi ali uma vontade infantil de querer escrever para si e ser julgado por outros. Gostei , afinal até Decartes teve este tipo pensamento. E me reanimou. Por isso, chega de dar um tempo. Chega dessa falta de imaginação, estou de volta ! :D

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Em dias de frio as coisas parecem mais tristes mas também mais certas, o mundo parece ser sempre o mesmo, eterno adolescente sem jeito.
Em dias assim eu fico como o mundo, triste com sua história, querendo mudar os rumos das coisas. Fico utópica e pensativa, viajo no ideal em busca de sonhos e me perco entre eles.
Mas no fim fico eu com meu dia comum, e tudo resguardado no pensamento. Afinal precisamos viver aqui neste mundo e não na nossa linda utopia.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Caíu.

Hoje escrevo ouvindo um tango no castigo da minha solidão e penso -por que não? -o que eu fiz por todo esse tempo andando com pessoas que não me entendem e não ligam para como penso ou me sinto, e foi aí que tudo caiu. Mas não caiu de verdade, já havia caído.
Vou contar.
Era noite a rua estava cheia e nossos sorrisos escorriam pelas beiras do cimento sujo lá do centro da minha cidade, e então, caiu. Foi simples assim. Eu senti ali mesmo que não havia motivos. Devia acabar com toda aquela falsidade, e acabei. Mas talvez motivo de tanta tristeza seja ainda não ter desistido desta falsidade.
Então, fui atrás de flores. Comprei duas, vermelhas e esbeltas. São tão tristes e mortas que posso sentí-las chorando e , cá entre nós, quando estamos tristes ver alguém mais triste nos faz sentirmos melhores. Não que a tristeza dos outros nos deixe felizes, mas nos sentimos tolos, e isso basta para nos fazer sentir melhor.
Quanto ao tango, nenhum vazio. Nenhuma raiva ou tristeza. Só pensamentos, e era assim que eu queria. Por hoje, apenas pensar. .

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Fer-21

Toda a solidão presa na paz daquela trilha mostra o esplendor do mundo, o silêncio contempla a suave natureza e seu sol ilumina o verde agreste desta bela terra.

sábado, 5 de setembro de 2009

E do que teve medo?

No início , de crescer, crescer e virar alguém, de entender o mundo. Deixar a fantasia para trás e virar alguém.Passou um tempo e o medo mudou, virou medo de não ser alguém, medo de não conseguir entender o mundo. Daí em diante o medo cresceu, se transformou em algo maior. Foi mais como uma chama, cheia de dúvidas e desesperos do mundo adulto. Cheia de realidade, gastos, erros, mortes, paixões e guerras, para todos os lados as guerras. E veio com a chama a incerteza de ter e ser alguém. Com o passar dos anos, porém, o medo diminui. Veio a certeza de ser e ter alguém. Porém, nasceriam mais temores, aqueles inexplicáveis ligados à dúvida de viver e morrer. Aquele medo de não ter vivido tudo o que deveria se viver.

Mas então, uma única certeza, que haveria de voltar para casa.