segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Em dias de frio as coisas parecem mais tristes mas também mais certas, o mundo parece ser sempre o mesmo, eterno adolescente sem jeito.
Em dias assim eu fico como o mundo, triste com sua história, querendo mudar os rumos das coisas. Fico utópica e pensativa, viajo no ideal em busca de sonhos e me perco entre eles.
Mas no fim fico eu com meu dia comum, e tudo resguardado no pensamento. Afinal precisamos viver aqui neste mundo e não na nossa linda utopia.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Caíu.

Hoje escrevo ouvindo um tango no castigo da minha solidão e penso -por que não? -o que eu fiz por todo esse tempo andando com pessoas que não me entendem e não ligam para como penso ou me sinto, e foi aí que tudo caiu. Mas não caiu de verdade, já havia caído.
Vou contar.
Era noite a rua estava cheia e nossos sorrisos escorriam pelas beiras do cimento sujo lá do centro da minha cidade, e então, caiu. Foi simples assim. Eu senti ali mesmo que não havia motivos. Devia acabar com toda aquela falsidade, e acabei. Mas talvez motivo de tanta tristeza seja ainda não ter desistido desta falsidade.
Então, fui atrás de flores. Comprei duas, vermelhas e esbeltas. São tão tristes e mortas que posso sentí-las chorando e , cá entre nós, quando estamos tristes ver alguém mais triste nos faz sentirmos melhores. Não que a tristeza dos outros nos deixe felizes, mas nos sentimos tolos, e isso basta para nos fazer sentir melhor.
Quanto ao tango, nenhum vazio. Nenhuma raiva ou tristeza. Só pensamentos, e era assim que eu queria. Por hoje, apenas pensar. .

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Fer-21

Toda a solidão presa na paz daquela trilha mostra o esplendor do mundo, o silêncio contempla a suave natureza e seu sol ilumina o verde agreste desta bela terra.

sábado, 5 de setembro de 2009

E do que teve medo?

No início , de crescer, crescer e virar alguém, de entender o mundo. Deixar a fantasia para trás e virar alguém.Passou um tempo e o medo mudou, virou medo de não ser alguém, medo de não conseguir entender o mundo. Daí em diante o medo cresceu, se transformou em algo maior. Foi mais como uma chama, cheia de dúvidas e desesperos do mundo adulto. Cheia de realidade, gastos, erros, mortes, paixões e guerras, para todos os lados as guerras. E veio com a chama a incerteza de ter e ser alguém. Com o passar dos anos, porém, o medo diminui. Veio a certeza de ser e ter alguém. Porém, nasceriam mais temores, aqueles inexplicáveis ligados à dúvida de viver e morrer. Aquele medo de não ter vivido tudo o que deveria se viver.

Mas então, uma única certeza, que haveria de voltar para casa.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Unidade 1

Vim contar-lhes sobre a minha manhã, que foi um tanto diferente, ao meu dizer.
Ao chegar num pronto socorro em meio a terrível crise e constantes casos da nova gripe, me senti um tanto estranha por não conhecer minha situação atual. Ainda mais forte foi minha culpa que transbordava perante os olhos daquelas crianças de máscaras , ao lado mães e pais preocupados, atentos a qualquer movimento diferente feito por outro paciente também mascarado.
Fui ao balcão passar meu diagnóstico e, imaginem só, tive a terrível notícia de que a máscara era necessária, no meu caso.
Eu que não sou lá tão crescida, senti que os olhos maduros se dirigiam a mim com tanta delicadeza e disfarce ao ponto de causar certa euforia e tristeza. Mamãe não ligou. Enquanto seu auxílio para vestir-me a máscara, um senhor me olhava como se fosse eu, a criança perdida. Senti-me nova. Desprotegida.
Aqueles olhos me fitavam de tal maneira a querer me esconder, fugir, estar em qualquer canto, menos ali, naquele lugar mórbido para onde vão os que querem mais tempo.
O senhor fora chamado a consulta, enquanto eu fiquei a olhar a garotinha. Aquela menina, tosse forte, rosto empalidecido, medo. Era fácil ver tais aspectos em sua face.
Me senti o velho senhor a olhar a jovem mocinha.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

81 %

São milhões de vazios, uma falta de ar, um enjôo contínuo, uma falta de você.
Uma raiva de você.
Uma saudade amiga.
Um suspiro.
Um pensamento.
Uma dúvida.
Uma letra.Duas.Três.
Uma lágrima.


domingo, 16 de agosto de 2009

Lar

Um livro, uma rede de bom grado.
Um canto, talvez dois ou mais. Qualquer silêncio.
Um clarão, poucas vozes. Um sonhador em sua toca.
Toda paz envolvente.
Um sorriso.Pronto.Está completo.